sexta-feira, 17 de março de 2023

DA POLÉMICA DA MARINHA AO FASCÍNIO DOS HOLOFOTES



O Sr. Almirante Gouveia e Melo, não resistiu ao fascínio dos holofotes e condenou, humilhou na praça pública, perante o País e o mundo, os seus Militares e revelou a parte menos sensata de um verdadeiro líder.

Com cara de mau, foi debitando ralhetes, não tanto para os militares ouvirem, mas para mostrar que estava ali, que tinha poder e que a Marinha não voltaria a tolerar atos desta natureza, mesmo que os navios continuem avariados.
Este é um estilo de liderança que não aprecio. As reprimendas dão-se na privacidade do gabinete. Os Militares, neste caso da Marinha, são profissionais competentes, são Homens inseridos e respeitados nas suas comunidades, nas suas aldeias, têm Pais, Filhos, Amigos e não podem estar sujeitos a ralhetes públicos, como se de qualquer robot insignificante se tratasse. Se o ato praticado por eles pode afetar a imagem da Instituição, a resposta do seu Comandante também não foi a melhor.O Sr. Almirante é o Comandante dos Comandantes e tem por isso uma boa parte da responsabilidade. Ao ter um navio com um motor avariado, um gerador inoperacional e mais um sem fim de avarias, um bocadinho menos de arrogância não lhe ficaria mal.
O Sr. Almirante vai continuar a ser o Comandante dos Comandantes, mas acho que nunca mais vai ser um Comandante desejado e genuinamente respeitado pelos “seus” Homens.

O fascínio dos holofotes tem destas coisas.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

AMOR, UNIÃO, PARTILHA



O "Coletivo Tanto-Mar" é um grupo de músicos Portugueses e Brasileiros, residentes em Coimbra, que fizeram da diferença um projeto de convívio, fraternidade, união e porque não de amor. 
Como seria bom se todos os povos fossem "Coletivo Tanto-Mar" 
Ao ouvi-los e ao ver a sua alegria e o seu exemplo de partilha e de união de culturas, não consegui deixar de pensar no sofrimento motivado pela hipocrisia que grassa por aí, em discursos, atitudes e contradições sistemáticas. 
Pelo mundo, os responsáveis que enviam equipas humanitárias para salvar crianças nos escombros do sismo na Síria, são os mesmos que matam crianças nos escombros da guerra, ou que deixam morrer à fome milhares e milhares de crianças, em países tão pobres do continente Africano. 
Mas também por cá, os que mandam e aumentam desmedidamente os preços dos combustíveis, são os mesmos que permitem os maiores lucros de sempre das empresas petrolíferas. 
São os mesmos que fecham os olhos ao aumento descarado das prestações dos créditos para habitação e não se importam com os lucros de milhões obtidos pelas instituições bancárias, sempre e sempre penalizando, ignorando e mesmo humilhando os mais pobres e desprotegidos. 
Também por cá, os que se indignam e irritam, quando se fala na necessidade de uma política de imigração, séria, humanista e integradora são exatamente os mesmos que permitem, que centenas ou milhares de imigrantes vivam em condições degradantes, paredes meias com os seus ministérios. 

Teríamos mesmo um mundo melhor se todos fossemos um bocadinho mais "Coletivo Tanto-Mar"



terça-feira, 21 de abril de 2020

À FRENTE DA LINHA OU NA LINHA DA FRENTE

O Covid não fugiu à regra. Uma boa parte dos doentes, que são tratados nos Hospitais, passam, em primeira mão, pelos cuidados de emergência pré-hospitalar nas ambulâncias tripuladas por BOMBEIROS.
O que seria de muitos doentes se não contassem com a dedicação primeira dos Bombeiros, e, como seria tão mais difícil a tarefa dos profissionais das Unidades de Saúde, se recebessem todos os doentes sem o trabalho prévio feito no pré-hospitalar.
À frente da linha ou na linha da frente? Eu diria que é básicamente a mesma coisa. Os Bombeiros estão onde sempre estiveram, na primeira linha, no epicentro, no início e no fim dos grandes problemas.
Associados quase sempre e só aos Incêndios, é bom não esquecer, que o grande trabalho dos BOMBEIROS é na área da saúde e são Eles que asseguram mais de 80% das urgências.
No COVID-19, temos feito tudo o que é humanamente possível, socorremos com profissionalismo e dedicação, temos aquirido os Equipamentos, temos reorganizado escalas de serviço, fazemos as refeições, limpeza dos quartéis, as camas onde dormimos, lavamos a roupa e confinamo-nos sem lamentações.
Fazemos tudo e reivindicamos tão pouco, na grande maioria dos casos nem o salário.
Talvez por isso, ou certamente por isso, somos dos menos lembrados.
Mas também por isso, e apesar disso, estamos sempre na linha da frente e por maioria de razões à frente da linha.

 

segunda-feira, 30 de março de 2020

COVID_19


Vivemos tempos difíceis em pleno epicentro da primeira pandemia da era digital, em que tudo é percecionado ao segundo, num tempo em que as notícias são dadas mesmo antes dos factos acontecerem.
Hoje, mais do que nunca, é essencial confiarmos, acreditarmos, mas, sobretudo, saber distinguir o que é verdadeiramente importante.
Mesmo com alguma demagogia, aqui e ali, com alguns descuidos e faltas de bom senso, não tenho dúvidas, que todos estamos verdadeiramente comprometidos em encontrar soluções, e as melhores soluções, para minimizar o impacto desta doença, que ninguém esperava e que verdadeiramente ninguém ainda conhece.
A nível nacional, ainda que possamos discordar de muita coisa, tomámos iniciativas mais cedo e porventura mais acertadas do que outros países da europa e do mundo.
Ao nível local, estamos muito empenhados em ter soluções e recursos para uma eventual fase mais aguda, que não sabemos quando nem como, ocorrerá.
Sob o “chapéu” do Município, têm sido tomadas todas as medidas julgadas necessárias, para minimizar eventuais impactos mais severos. Sensibilização pública, identificação e preparação de espaços de acolhimento alternativos, criação de centro de recursos, linhas opcionais dedicadas e um trabalho intenso com as IPSSs, que estão muito motivadas para o problema, com as Juntas de Freguesia que têm tido um papel relevante nos contactos com o tecido empresarial, na identificação de famílias e cidadãos mais vulneráveis, na desinfeção de espaços, na regulamentação do acesso aos cemitérios e espaços públicos.
Com as Entidades Municipais, Bombeiros, Centro de Saúde, GNR, Escuteiros, instituições privadas num trabalho constante e exaustivo, levado a cabo por um conjunto de colaboradores que não regateiam esforços.
Todos estamos empenhados em cumprir, mas temos que ser todos, os que podem ficar em casa e os que efetivamente não podem, mas que têm de observar as regras próprias de um estado de emergência.

Juntos, conscientes e motivados mais facilmente venceremos!
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

VULNERABILIDADES


Há, de facto, ocorrências que não podemos evitar, mas os últimos dias de 2019, com as chamadas depressões, mostraram mais uma vez as vulnerabilidades do nosso território.
Árvores caídas para as vias de comunicação, estradas cortadas ou condicionadas, algumas por falta de manutenção, aldeias sem luz, sem televisão, sem internet apenas e só porque não há cuidado de proteger as linhas, diques que rebentam, alegadamente, por falta de vistorias, inundações por manifesta falta de limpeza, aldeias e vilas sem água, enfim um sem número de situações que, com um pouco mais de cuidado e de trabalho antecipado, podiam ser evitadas, ou pelo menos minimizadas.
Falta, a uma boa parte do País, uma cultura de prevenção mais aprofundada e um conceito de cidadania ativa, mais forte e exigente. Aceitamos tudo muito passivamente, parece que somos um povo hipnotizado, extasiado, encantado com a retórica, com o populismo exacerbado de alguns responsáveis políticos dos diversos patamares. Aplaudimos os discursos bonitos mas não cobramos o incumprimento das promessas, preferimos uma cultura de facilitismo, ao invés de exigir o cumprimento das condições mais básicas de conforto e segurança.
Ficamos muito incomodados, críticos mesmo até á exaustão se não há festa e fogo-de-artifício, mas aceitamos como natural ter as estradas a cair.
Infelizmente isto passa-se no nosso concelho, no nosso país e mesmo à escala internacional.
Na Austrália, os incêndios matam dezenas de pessoas, queimam milhares de casas de primeira habitação, destroem milhares e milhares de hectares de floresta, transformam por completo o ecossistema de uma região e poluem como nunca.
Mesmo assim, não faltou a festa nem o fogo de artifício.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

DA FICÇÃO À REALIDADE

 
Este é o complexo diagrama das estruturas coordenadas pela Agif, a nova a Entidade criada pelo governo para coordenar o combate aos incêndios florestais, e que ontem, na SIC, foi considerado um "perfeito disparate" pelo Chefe do Executivo.
Esta será a representação diagramática dos gabinetes, dos doutorados, como lhes chamou António Costa, mas não é a representação dos Bombeiros, dos operacionais, dos que trabalham a troco de pouco ou de nada, e, muito menos, o será do povo anónimo dos territórios do interior, que continua abandonado à sua sorte.
Este poderá ser o cronograma da ficção, mas não é seguramente o cronograma da realidade.
 
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domingo, 16 de dezembro de 2018

AINDA A QUEDA DO HELIO DO INEM

Em Portugal, sempre que há uma acidente mais grave, logo surge um rol de criticas e, por isso, deixo claro que não é essa a minha intenção, afinal não há sistemas perfeitos e todos somos suscetíveis de errar, mas, a ser verdade a falha nas comunicações, desejo apenas que sirva de lição àqueles que continuadamente têm tentado desvalorizar, descredibilizar e menorizar as centrais de comunicações dos Corpos de Bombeiros. 
Talvez por este reiterado propósito de desqualificação, ninguém se lembrou de ligar para um qualquer Quartel de Bombeiros da área.
Que também o INEM, nunca mais diga à população que não deve e não pode ligar diretamente para os Bombeiros.

A vida é um turbilhão de contradições. No momento mais inesperado, quando porventura regressamos felizes por termos contribuído para a Vida, eis que ela nos foge assim, abruptamente, sem contemplações.
Hoje associamo-nos ao luto de todos os profissionais do INEM, parceiros de tantas lutas e com quem partilhamos, todos os dias, exatamente os instantes da diferença entre a vida e a morte. 
Num dia em que vejo também partir uma Amiga do coração, que tantos e tantos momentos partilhou com os Nossos Bombeiros, quanto ainda estávamos no antigo Quartel, não posso deixar de refletir de que tudo, mesmo tudo, é efémero.
Que descansem em paz todos os companheiros do INEM e a D. Lurdes, minha querida Amiga.
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

"TECER A PREVENÇÃO - Plano Local de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens do Concelho de Penacova".




Confesso que o nome, só por si, me fascinou.Esta dimensão tão abrangente das palavras, a conceção de um trabalho diligente, tão dinâmico, paciente e acolhedor, como era a labuta das tecedeiras, trouxe-me à imaginação o aconchego das peças que teciam, dos fios que entrelaçavam, das teias protetoras que criavam, das camisolas quentinhas ou dos cobertores que me embalavam o sono. No fim de contas, era tudo aquilo que nos protegia.Estas foram algumas das palavras que escrevi, em Fevereiro de 2014, quando foi pela primeira vez proposto o projeto com este nome: “Tecer a Prevenção”Hoje, passados quase 5 anos, voltei a passear pelo tempo, o tempo que nos traz à memória as crianças mais desprotegidas, as que todos os dias precisam de uma tecedeira, uma artesã com mãos de ouro e um coração imenso, capaz de criar, abraçar e entrelaçar esta tarefa e incluir o talento e a capacidade de prever, de conhecer e sobretudo de agir.Hoje, na apresentação do trabalho final, não deixei de salientar isso mesmo, que este trabalho, também tão pacientemente elaborado, só terá valor, se verdadeiramente melhorar as condições de vida das crianças e jovens, que todos os dias continuam a precisar de uma “tecedeira”.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

TRAGÉDIA - VERÃO 2017


 Texto escrito em 17 de Outubro de 2017
Cinco vidas ceifadas, 4 Bombeiros que necessitaram de deslocação aos HUC, 29 casas de primeira habitação destruídas, dezenas de animais, máquinas industriais, equipamentos fabris, armazéns, casas e ferramentas agrícolas, pomares, vinhas e olivais, e cerca de 10 mil de hectares de floresta queimada, é o balanço, ainda provisório, do terrível incêndio, o maior e mais destrutivo de que há memória no nosso concelho.
A dimensão e velocidade do fogo e a sua generalização pelo nosso distrito e por toda a região, impediu que todas as pessoas, todas as aldeias fossem protegidas como era suposto serem.
Temos consciência de tudo o que não se salvou e das perdas enormes para as famílias afetadas, e nem mesmo a noção do muito que, apesar de tudo, conseguimos salvar, apaga a nossa angústia e a sensação de que fomos muito poucos perante a dimensão assustadora da tragédia.
Ao longo de anos preparámo-nos para cenários adversos, adquirimos uma frota de veículos de socorro das melhores do nosso País, constituímos um grupo de Bombeiros Voluntários dos maiores e mais bem preparados a nível nacional e concebemos uma gestão sólida e eficaz.
Como nos competia, criámos nos Penacovenses uma sensação única de segurança e de conforto e habituámos todos a ter uma forte confiança nos seus Bombeiros. Parecia que não havia problema que não fossemos capazes de resolver. De um momento para o outro, a adversidade avassaladora da natureza coloca-nos perante cenários a que não conseguimos dar a resposta que a população, que tanto confiava, precisava.            
O mundo desmoronou-se, sobretudo para quem perdeu os familiares, para quem não há solução possível, mas para todos os que perderam os seus bens, as suas casas, o seu emprego ou a base da sua sustentabilidade. Mas também para nós, que jamais apagaremos da nossa memória, individual e coletiva, a sensação de impotência, a angústia infindável de não ter meios suficientes, de não ter comunicações, de não ter um qualquer dom sobrenatural que nos permitisse estar em todo o lado. Apesar de tudo, resta-nos a consciência de que demos tudo o que humanamente podíamos.
A dimensão e a violência do incêndio, não deixou margem para alternativas. Contámos apenas connosco, com o nosso Povo, que na generalidade compreendeu e nos colocou à disposição camiões cisterna, tratores, piscinas para abastecimento, motobombas, num movimento extraordinário de solidariedade e de partilha, que nunca esqueceremos.
É nas tragédias que muitas vezes reforçamos o conceito da dimensão da capacidade humana e intensificamos os laços de solidariedade. São estes laços e o sentimento tão forte de união, que não podemos deixar de realçar.
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

SINAIS DOS TEMPOS…OU A DEGRADAÇÃO DO ESTADO


O País assiste, talvez já sem surpresa, à prisão do diretor da Policia Judiciaria Militar e outros responsáveis, alegadamente, por existirem “guerras” entre polícias.
O caso poderia até parecer uma brincadeira de ciúmes, de ambições pessoais ou corporativas se o conteúdo não fosse tão sério e relevante. Acontece, que se trata de um assunto de estado, do roubo de armas de um paiol militar, ainda tão mais grave quando sabemos que andou envolto em sucessivos mistérios, contradições e incertezas e em sucessivas declarações, mais ou menos desastradas, gerando uma natural sensação de desconfiança e insegurança nos cidadãos.
É certo, que nos tempos que correm, andamos todos um pouco baralhados: Polícias com responsabilidades de apagar incêndios, Bombeiros que regulam o trânsito enquanto esperam pela chegada da polícia. Há uns tempos, era impensável ver carros de combate a incêndios capotados com a sigla da “GNR”, ou lamentar os ferimentos graves e o internamento de militares desta prestigiada força, devido ao combate a incêndios florestais.
Hoje temos fotografias censuradas, que levam à demissão de responsáveis, e não era hábito termos o Presidente da República, o mais Alto magistrado da Nação, dias a fio, a dar entrevistas em calções de banho.
Atualmente temos o maior investimento (diz-se) de sempre na área da saúde, mas também um número de demissões, sem precedentes, de responsáveis hospitalares e um agravamento continuado dos cuidados prestados.
Temos um primeiro-ministro que dá a sua palavra honrada, que a repete cinco vezes, para uns dias depois a reduzir a menos de nada.
Sim, tudo isto parece um sinal dos tempos, a que, mal ou bem, nos vamos habituando, mas o incidente de Tancos não é bem a mesma coisa. Quando se trata da Instituição Militar, atingida ao seu mais alto nível, exatamente a Policia Judiciária Militar, então não serão apenas sinais dos tempos, mas antes fenómenos complicados de degradação das Instituições, que podem ferir a dignidade e a credibilidade do próprio Estado de Direito.
Apesar de tudo, e dos seus constrangimentos, vamos acreditando no sistema judicial, esperando que não seja beliscado pelo recente e rocambolesco episódio da nomeação da PGR.
 
 
 
 
 



 

Fotos com crédito de imagem

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

INCÊNDIOS FLORESTAIS


Ao dar uma olhadela nos meus arquivos da semana passada encontrei esta capa de jornal.

Cada um interpreta como quiser. Por mim, exprimo o desejo, muito forte e sincero, de rápido restabelecimento para os Militares da GNR apanhados pelo incêndio florestal de Mourão.
O combate aos incêndios é uma tarefa de risco muito elevado e o fogo não escolhe o momento, o local, a origem ou a cor da farda.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

O MOMENTO DOS PROFESSORES



Em termos laborais, nada há de mais justo do que contar o tempo de serviço efetivamente prestado, seja qual for a classe ou categoria profissional.
No que respeita aos Professores, a semana passada, talvez apenas para “intoxicar” a opinião pública, o governo afirmava que a contagem do tempo custava 600 milhões, hoje anuncia-se uma comissão técnica para avaliar quanto custa.
Esta falta de responsabilidade, custou uma greve e dias de incerteza a uma boa parte da população, incluindo naturalmente os professores, que são na generalidade cidadãos responsáveis e também têm filhos nas escolas públicas.
Considero inacreditável a ligeireza com que se trata um assunto tão sério, e acho também que os Professores não deixarão de “chumbar” o governo e alguns sindicatos pelo desempenho tão negativo.


terça-feira, 3 de julho de 2018

O FUTURO DO IP3

Hoje assisti ao anúncio público, das obras de requalificação do IP3. Porque sou testemunha de muitas tragédias, quero acreditar que desta vez é mesmo a sério, embora se trate ainda de um conjunto de boas intenções, que darão os seus frutos, tal como foi dito, lá para os finais de 2022.
Aliás, o discurso, bem estruturado, do Ministro do Planeamento deixou essa garantia, quando referiu que não se repetiriam as promessas antigas e anúncios idênticos, que não passaram disso mesmo.
Ao refletir sobre esta cerimónia, não posso deixar de lamentar, que a presença de três membros do Governo, de Dirigentes da Administração Pública e de tantos órgãos de Comunicação Social, não tenha sido aproveitada para colocar na agenda política alguns dos problemas do nosso Concelho.
No momento em que um vasto grupo de Cidadãos, procura alertar para a degradação das instalações do antigo hospital de Lorvão e quando há um amplo consenso quanto à finalidade a dar-lhe, a Câmara Municipal não soube, não pôde ou não quis, dizer absolutamente nada.
 

sábado, 16 de junho de 2018

REUNIÃO DE CÂMARA DE 15 DE JUNHO 2018

Foi com um sentimento redobrado de satisfação que ontem assistimos, na Reunião de Câmara, à apresentação do trabalho “Meu Querido Fim do Mundo…CONSciência”, desenvolvido por um grupo de alunos, do 7.º ano, do AE de Penacova, no âmbito das candidaturas ao projeto Ciência na Escola, da Fundação Ilídio Pinho.
“Meu Querido Fim do Mundo…CONSciência” foi inspirado nos acontecimentos do passado 15 de Outubro, e para além de estudar um conjunto de disciplinas através da investigação e análise, quer em contexto de sala de aula, quer em trabalho de campo, visa, sobretudo, despertar consciências para evitar e prevenir os incêndios florestais e as suas consequências.
Também como um dos entrevistados, durante o desenvolvimento dos trabalhos, não posso deixar de felicitar a Iris, a Sara, o João e o Luís Martins e as professoras Emília e Cristina Simões que os orientaram.
Na mesma reunião de Câmara tive ainda a oportunidade de falar sobre o fecho do Banco BIC, em S. Pedro de Alva. O encerramento de uma unidade bancária, é sempre um sinal de empobrecimento e de regressão económica e social de uma comunidade e de um concelho que, num passado bem recente, viu encerrar o balcão da Caixa, no largo do Terreiro e o balcão do BPI. Sugeri ao Sr. Presidente da CM , que formalmente desconhecia a situação, que tentasse ainda desenvolver esforços para evitar o encerramento.
Também o aspeto, menos cuidado, da entrada da Vila de Penacova, do acesso do IP3, mereceu a minha chamada de atenção ao Sr. Presidente. De facto, um concelho tão bonito merecia uma “porta de entrada” mais cuidada e acolhedora. Sugeri, a curto prazo, coisas aparentemente simples, sobretudo, uma maior e melhor limpeza e a possibilidade de colocar uma tela nos pilares da superfície comercial LIDLE, que torne aquele espaço visualmente mais simpático.
A médio prazo deveriam, na minha opinião, ser feitas obras de requalificação dos taludes, com o enquadramento daquela paisagem e a colocação de um monumento de homenagem ao Bombeiro Voluntário, aprovado há muitos anos pela CM, mas nunca executado.
Tive ainda a oportunidade de felicitar as Marchas do Concelho, pelo seu trabalho e dedicação, com a sugestão de maior apoio, a Feira das Tradições de Lorvão com a proposta de um maior envolvimento da doçaria conventual, a Festa das Sopas, um trabalho fantástico do Agrupamento de Escuteiros n.º 1316, de Figueira de Lorvão e das obras de melhoramentos no salão da Casa do Povo de S. Pedro de Alva.
Porque achei mesmo muito bom, deixo uma fotografia com os envolvidos no Projeto “Meu Querido Fim do Mundo…CONSciência”, no dia da entrevista e da visita ao Quartel dos Bombeiros.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

MAIS UM AMIGO

A Vida não está fácil. Ontem perdi mais um Amigo!
Saúl Rico, Amigo e colega, mas sobretudo um Homem com quem partilhei, durante uma fase das nossas vidas, muitas e muitas horas de trabalho, de convívio e mesmo momentos de grande cumplicidade, por vezes só nossos, que ficaram gravados na memória de ambos.
Os últimos tempos não foram particularmente fáceis e as nossas conversas quase se resumiam ao trivial, ainda assim, há poucos dias, tivemos oportunidade de trocar um abraço, o abraço de despedida. A vida tem mesmo destas traições, e agora que partiste, sinto a nostalgia desse instante que não imaginava seria o último.
Não, não voltaremos a jogar a sueca, como tantas vezes o fizemos no passado, mas ficas apenas à nossa espera e, um dia, lá nos encontraremos no universo do tempo, daremos um novo abraço e, quem sabe, voltaremos a “batê-las”.



 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

PERDI UM AMIGO



Também eu estou mais “escuro”.
Não, não é apenas o rosto, a véstia ou mesmo o olhar mais sombrio! Não, não é!!
É o coração e alma que sentem a melancolia, o desgosto e a tristeza infinda de ver partir um amigo. Assim, repentinamente, a notícia cai. Ficamos perplexos, incrédulos, a nossa cabeça transforma-se num turbilhão de pensamentos, de recordações, de imagens. Sim de imagens! Imagens de um Homem sereno, tranquilo, sensato, também preocupado, imagens inesquecíveis de um Amigo!!
O Alberto, não é conhecido de Penacova, mas gostava da minha, da nossa terra. É um daqueles Amigos a quem que tive oportunidade de mostrar o Mosteiro de Lorvão, o Penedo do Castro, os Moinhos, as Barragens, a “Água das Caldas” de o trazer, aos “nossos” restaurantes, ao Côta, ao Cortiço, ao Vimieiro, ao Aires, à Quinta da Conchada e já não foi ao Piscinas.
É difícil escrever mais, e, por mais rico que fosse o meu vocabulário e fértil a minha imaginação, nunca escreveria melhor, do que o Dr. José Oliveira Alves e o Dr. Nuno Espinal, transcrevo, por isso, neste meu espaço, as suas palavras que ficarão para memória futura como o testemunho e a homenagem a um Amigo comum.
Também eu, Caro Alberto, não te esquecerei, “no escuro” (que este ano partilhei tão pouco) ou qualquer que seja o local do nosso próximo almoço.


Caro Alberto:

Não tinhas o direito de partir assim.
Sem mais, como se não fosses importante para todos e cada um de nós.
Recentemente, pelo teu aniversário, fizeste questão de nos reunires em tua casa, à volta da tua mesa, numa feliz comemoração.
A todos abraçaste com o teu sorriso aberto e prazenteiro que irradiava satisfação por estarmos ali.
A tua mulher, o teu filho, a tua nora e a tua neta desdobraram-se em amabilidades para connosco, como se de família próxima se tratasse.
A tua neta falou por todos nós, num improviso que lhe impusemos, e salientou, em palavras simples mas plenas de significado, aquilo que um avô mais desejaria ouvir – a admiração, o amor, o carinho por um avô sempre presente, amigo, conselheiro e protector que a Leonor lhe testemunhou
Poderíamos fazer nossas as palavras da tua neta.
Há dois anos, também por altura do teu aniversário, almoçámos em Fajão, lembras-te? Fizeste questão de oferecer o almoço dizendo algo como isto “estes são os meus amigos, que importa o dinheiro?”
Foste sempre assim, amigo do teu amigo, generoso, bom e leal, de nome e de temperamento.
Para ti a vida deveria ser um jogo sem vencedores nem vencidos.
Nunca ninguém te viu zangado nem nunca te ouviu uma crítica a quem quer que fosse. Foste um exemplo de amigo, marido, pai, avô e Homem.
Hoje, que o jogo acabou, perdeste, Alberto, perdemos todos, e penso que, sem o sabermos, o abraço apertado que trocámos no dia do teu aniversário era um abraço de despedida.
A vida tem destas traições.
Sabes que deixas um vazio enorme.
O teu lugar, no “Entroncamento”, no “Escuro” como lhe chamamos, vai agora ficar vazio ao lado do Vasco mas não deixaremos de sentir a vossa presença junto de nós.
Um dia, lá nos encontraremos no universo do tempo, daremos um fortíssimo abraço de saudade e continuaremos as nossas conversas que agora interrompemos.
Embora tivesses o dever de continuar junto de nós, vai em paz, Alberto

Até sempre, Amigo.
José Oliveira Alves


Caro Alberto:

Eras um verdadeiro amigo, um amigo dos velhos amigos da malta.
Hoje, para sempre, a trágica frieza da morte, silenciou-te as palavras, extingue-te o sorriso, finaliza os gestos cúmplices e solidários com que acudias aos desprivilégios da vida.
No teu recato, longe de exuberâncias, sempre te ouvimos as palavras fortes com que elegias a amizade, que tanto consagravas no teu culto dos bens mais prestimosos da vida.

Meu caro Alberto: Amanhã, no “escuro”, tanto que vamos sentir a tua falta! Mas, haverá sempre um brilho teu, na memória das coisas fortes da vida, que nos iluminará as recordações que tu tanto protagonizaste connosco.
Adeus caro Alberto. Quero que acredites: Enquanto um dos da “malta” existir, tu existirás sempre connosco.

Nuno Espinal