segunda-feira, 30 de março de 2020

COVID_19


Vivemos tempos difíceis em pleno epicentro da primeira pandemia da era digital, em que tudo é percecionado ao segundo, num tempo em que as notícias são dadas mesmo antes dos factos acontecerem.
Hoje, mais do que nunca, é essencial confiarmos, acreditarmos, mas, sobretudo, saber distinguir o que é verdadeiramente importante.
Mesmo com alguma demagogia, aqui e ali, com alguns descuidos e faltas de bom senso, não tenho dúvidas, que todos estamos verdadeiramente comprometidos em encontrar soluções, e as melhores soluções, para minimizar o impacto desta doença, que ninguém esperava e que verdadeiramente ninguém ainda conhece.
A nível nacional, ainda que possamos discordar de muita coisa, tomámos iniciativas mais cedo e porventura mais acertadas do que outros países da europa e do mundo.
Ao nível local, estamos muito empenhados em ter soluções e recursos para uma eventual fase mais aguda, que não sabemos quando nem como, ocorrerá.
Sob o “chapéu” do Município, têm sido tomadas todas as medidas julgadas necessárias, para minimizar eventuais impactos mais severos. Sensibilização pública, identificação e preparação de espaços de acolhimento alternativos, criação de centro de recursos, linhas opcionais dedicadas e um trabalho intenso com as IPSSs, que estão muito motivadas para o problema, com as Juntas de Freguesia que têm tido um papel relevante nos contactos com o tecido empresarial, na identificação de famílias e cidadãos mais vulneráveis, na desinfeção de espaços, na regulamentação do acesso aos cemitérios e espaços públicos.
Com as Entidades Municipais, Bombeiros, Centro de Saúde, GNR, Escuteiros, instituições privadas num trabalho constante e exaustivo, levado a cabo por um conjunto de colaboradores que não regateiam esforços.
Todos estamos empenhados em cumprir, mas temos que ser todos, os que podem ficar em casa e os que efetivamente não podem, mas que têm de observar as regras próprias de um estado de emergência.

Juntos, conscientes e motivados mais facilmente venceremos!
 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

VULNERABILIDADES


Há, de facto, ocorrências que não podemos evitar, mas os últimos dias de 2019, com as chamadas depressões, mostraram mais uma vez as vulnerabilidades do nosso território.
Árvores caídas para as vias de comunicação, estradas cortadas ou condicionadas, algumas por falta de manutenção, aldeias sem luz, sem televisão, sem internet apenas e só porque não há cuidado de proteger as linhas, diques que rebentam, alegadamente, por falta de vistorias, inundações por manifesta falta de limpeza, aldeias e vilas sem água, enfim um sem número de situações que, com um pouco mais de cuidado e de trabalho antecipado, podiam ser evitadas, ou pelo menos minimizadas.
Falta, a uma boa parte do País, uma cultura de prevenção mais aprofundada e um conceito de cidadania ativa, mais forte e exigente. Aceitamos tudo muito passivamente, parece que somos um povo hipnotizado, extasiado, encantado com a retórica, com o populismo exacerbado de alguns responsáveis políticos dos diversos patamares. Aplaudimos os discursos bonitos mas não cobramos o incumprimento das promessas, preferimos uma cultura de facilitismo, ao invés de exigir o cumprimento das condições mais básicas de conforto e segurança.
Ficamos muito incomodados, críticos mesmo até á exaustão se não há festa e fogo-de-artifício, mas aceitamos como natural ter as estradas a cair.
Infelizmente isto passa-se no nosso concelho, no nosso país e mesmo à escala internacional.
Na Austrália, os incêndios matam dezenas de pessoas, queimam milhares de casas de primeira habitação, destroem milhares e milhares de hectares de floresta, transformam por completo o ecossistema de uma região e poluem como nunca.
Mesmo assim, não faltou a festa nem o fogo de artifício.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

DA FICÇÃO À REALIDADE

 
Este é o complexo diagrama das estruturas coordenadas pela Agif, a nova a Entidade criada pelo governo para coordenar o combate aos incêndios florestais, e que ontem, na SIC, foi considerado um "perfeito disparate" pelo Chefe do Executivo.
Esta será a representação diagramática dos gabinetes, dos doutorados, como lhes chamou António Costa, mas não é a representação dos Bombeiros, dos operacionais, dos que trabalham a troco de pouco ou de nada, e, muito menos, o será do povo anónimo dos territórios do interior, que continua abandonado à sua sorte.
Este poderá ser o cronograma da ficção, mas não é seguramente o cronograma da realidade.
 
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domingo, 16 de dezembro de 2018

AINDA A QUEDA DO HELIO DO INEM

Em Portugal, sempre que há uma acidente mais grave, logo surge um rol de criticas e, por isso, deixo claro que não é essa a minha intenção, afinal não há sistemas perfeitos e todos somos suscetíveis de errar, mas, a ser verdade a falha nas comunicações, desejo apenas que sirva de lição àqueles que continuadamente têm tentado desvalorizar, descredibilizar e menorizar as centrais de comunicações dos Corpos de Bombeiros. 
Talvez por este reiterado propósito de desqualificação, ninguém se lembrou de ligar para um qualquer Quartel de Bombeiros da área.
Que também o INEM, nunca mais diga à população que não deve e não pode ligar diretamente para os Bombeiros.

A vida é um turbilhão de contradições. No momento mais inesperado, quando porventura regressamos felizes por termos contribuído para a Vida, eis que ela nos foge assim, abruptamente, sem contemplações.
Hoje associamo-nos ao luto de todos os profissionais do INEM, parceiros de tantas lutas e com quem partilhamos, todos os dias, exatamente os instantes da diferença entre a vida e a morte. 
Num dia em que vejo também partir uma Amiga do coração, que tantos e tantos momentos partilhou com os Nossos Bombeiros, quanto ainda estávamos no antigo Quartel, não posso deixar de refletir de que tudo, mesmo tudo, é efémero.
Que descansem em paz todos os companheiros do INEM e a D. Lurdes, minha querida Amiga.
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

"TECER A PREVENÇÃO - Plano Local de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens do Concelho de Penacova".




Confesso que o nome, só por si, me fascinou.Esta dimensão tão abrangente das palavras, a conceção de um trabalho diligente, tão dinâmico, paciente e acolhedor, como era a labuta das tecedeiras, trouxe-me à imaginação o aconchego das peças que teciam, dos fios que entrelaçavam, das teias protetoras que criavam, das camisolas quentinhas ou dos cobertores que me embalavam o sono. No fim de contas, era tudo aquilo que nos protegia.Estas foram algumas das palavras que escrevi, em Fevereiro de 2014, quando foi pela primeira vez proposto o projeto com este nome: “Tecer a Prevenção”Hoje, passados quase 5 anos, voltei a passear pelo tempo, o tempo que nos traz à memória as crianças mais desprotegidas, as que todos os dias precisam de uma tecedeira, uma artesã com mãos de ouro e um coração imenso, capaz de criar, abraçar e entrelaçar esta tarefa e incluir o talento e a capacidade de prever, de conhecer e sobretudo de agir.Hoje, na apresentação do trabalho final, não deixei de salientar isso mesmo, que este trabalho, também tão pacientemente elaborado, só terá valor, se verdadeiramente melhorar as condições de vida das crianças e jovens, que todos os dias continuam a precisar de uma “tecedeira”.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

TRAGÉDIA - VERÃO 2017


 Texto escrito em 17 de Outubro de 2017
Cinco vidas ceifadas, 4 Bombeiros que necessitaram de deslocação aos HUC, 29 casas de primeira habitação destruídas, dezenas de animais, máquinas industriais, equipamentos fabris, armazéns, casas e ferramentas agrícolas, pomares, vinhas e olivais, e cerca de 10 mil de hectares de floresta queimada, é o balanço, ainda provisório, do terrível incêndio, o maior e mais destrutivo de que há memória no nosso concelho.
A dimensão e velocidade do fogo e a sua generalização pelo nosso distrito e por toda a região, impediu que todas as pessoas, todas as aldeias fossem protegidas como era suposto serem.
Temos consciência de tudo o que não se salvou e das perdas enormes para as famílias afetadas, e nem mesmo a noção do muito que, apesar de tudo, conseguimos salvar, apaga a nossa angústia e a sensação de que fomos muito poucos perante a dimensão assustadora da tragédia.
Ao longo de anos preparámo-nos para cenários adversos, adquirimos uma frota de veículos de socorro das melhores do nosso País, constituímos um grupo de Bombeiros Voluntários dos maiores e mais bem preparados a nível nacional e concebemos uma gestão sólida e eficaz.
Como nos competia, criámos nos Penacovenses uma sensação única de segurança e de conforto e habituámos todos a ter uma forte confiança nos seus Bombeiros. Parecia que não havia problema que não fossemos capazes de resolver. De um momento para o outro, a adversidade avassaladora da natureza coloca-nos perante cenários a que não conseguimos dar a resposta que a população, que tanto confiava, precisava.            
O mundo desmoronou-se, sobretudo para quem perdeu os familiares, para quem não há solução possível, mas para todos os que perderam os seus bens, as suas casas, o seu emprego ou a base da sua sustentabilidade. Mas também para nós, que jamais apagaremos da nossa memória, individual e coletiva, a sensação de impotência, a angústia infindável de não ter meios suficientes, de não ter comunicações, de não ter um qualquer dom sobrenatural que nos permitisse estar em todo o lado. Apesar de tudo, resta-nos a consciência de que demos tudo o que humanamente podíamos.
A dimensão e a violência do incêndio, não deixou margem para alternativas. Contámos apenas connosco, com o nosso Povo, que na generalidade compreendeu e nos colocou à disposição camiões cisterna, tratores, piscinas para abastecimento, motobombas, num movimento extraordinário de solidariedade e de partilha, que nunca esqueceremos.
É nas tragédias que muitas vezes reforçamos o conceito da dimensão da capacidade humana e intensificamos os laços de solidariedade. São estes laços e o sentimento tão forte de união, que não podemos deixar de realçar.