domingo, 16 de dezembro de 2018

AINDA A QUEDA DO HELIO DO INEM

Em Portugal, sempre que há uma acidente mais grave, logo surge um rol de criticas e, por isso, deixo claro que não é essa a minha intenção, afinal não há sistemas perfeitos e todos somos suscetíveis de errar, mas, a ser verdade a falha nas comunicações, desejo apenas que sirva de lição àqueles que continuadamente têm tentado desvalorizar, descredibilizar e menorizar as centrais de comunicações dos Corpos de Bombeiros. 
Talvez por este reiterado propósito de desqualificação, ninguém se lembrou de ligar para um qualquer Quartel de Bombeiros da área.
Que também o INEM, nunca mais diga à população que não deve e não pode ligar diretamente para os Bombeiros.

A vida é um turbilhão de contradições. No momento mais inesperado, quando porventura regressamos felizes por termos contribuído para a Vida, eis que ela nos foge assim, abruptamente, sem contemplações.
Hoje associamo-nos ao luto de todos os profissionais do INEM, parceiros de tantas lutas e com quem partilhamos, todos os dias, exatamente os instantes da diferença entre a vida e a morte. 
Num dia em que vejo também partir uma Amiga do coração, que tantos e tantos momentos partilhou com os Nossos Bombeiros, quanto ainda estávamos no antigo Quartel, não posso deixar de refletir de que tudo, mesmo tudo, é efémero.
Que descansem em paz todos os companheiros do INEM e a D. Lurdes, minha querida Amiga.
 

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

"TECER A PREVENÇÃO - Plano Local de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens do Concelho de Penacova".




Confesso que o nome, só por si, me fascinou.Esta dimensão tão abrangente das palavras, a conceção de um trabalho diligente, tão dinâmico, paciente e acolhedor, como era a labuta das tecedeiras, trouxe-me à imaginação o aconchego das peças que teciam, dos fios que entrelaçavam, das teias protetoras que criavam, das camisolas quentinhas ou dos cobertores que me embalavam o sono. No fim de contas, era tudo aquilo que nos protegia.Estas foram algumas das palavras que escrevi, em Fevereiro de 2014, quando foi pela primeira vez proposto o projeto com este nome: “Tecer a Prevenção”Hoje, passados quase 5 anos, voltei a passear pelo tempo, o tempo que nos traz à memória as crianças mais desprotegidas, as que todos os dias precisam de uma tecedeira, uma artesã com mãos de ouro e um coração imenso, capaz de criar, abraçar e entrelaçar esta tarefa e incluir o talento e a capacidade de prever, de conhecer e sobretudo de agir.Hoje, na apresentação do trabalho final, não deixei de salientar isso mesmo, que este trabalho, também tão pacientemente elaborado, só terá valor, se verdadeiramente melhorar as condições de vida das crianças e jovens, que todos os dias continuam a precisar de uma “tecedeira”.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

TRAGÉDIA - VERÃO 2017


 Texto escrito em 17 de Outubro de 2017
Cinco vidas ceifadas, 4 Bombeiros que necessitaram de deslocação aos HUC, 29 casas de primeira habitação destruídas, dezenas de animais, máquinas industriais, equipamentos fabris, armazéns, casas e ferramentas agrícolas, pomares, vinhas e olivais, e cerca de 10 mil de hectares de floresta queimada, é o balanço, ainda provisório, do terrível incêndio, o maior e mais destrutivo de que há memória no nosso concelho.
A dimensão e velocidade do fogo e a sua generalização pelo nosso distrito e por toda a região, impediu que todas as pessoas, todas as aldeias fossem protegidas como era suposto serem.
Temos consciência de tudo o que não se salvou e das perdas enormes para as famílias afetadas, e nem mesmo a noção do muito que, apesar de tudo, conseguimos salvar, apaga a nossa angústia e a sensação de que fomos muito poucos perante a dimensão assustadora da tragédia.
Ao longo de anos preparámo-nos para cenários adversos, adquirimos uma frota de veículos de socorro das melhores do nosso País, constituímos um grupo de Bombeiros Voluntários dos maiores e mais bem preparados a nível nacional e concebemos uma gestão sólida e eficaz.
Como nos competia, criámos nos Penacovenses uma sensação única de segurança e de conforto e habituámos todos a ter uma forte confiança nos seus Bombeiros. Parecia que não havia problema que não fossemos capazes de resolver. De um momento para o outro, a adversidade avassaladora da natureza coloca-nos perante cenários a que não conseguimos dar a resposta que a população, que tanto confiava, precisava.            
O mundo desmoronou-se, sobretudo para quem perdeu os familiares, para quem não há solução possível, mas para todos os que perderam os seus bens, as suas casas, o seu emprego ou a base da sua sustentabilidade. Mas também para nós, que jamais apagaremos da nossa memória, individual e coletiva, a sensação de impotência, a angústia infindável de não ter meios suficientes, de não ter comunicações, de não ter um qualquer dom sobrenatural que nos permitisse estar em todo o lado. Apesar de tudo, resta-nos a consciência de que demos tudo o que humanamente podíamos.
A dimensão e a violência do incêndio, não deixou margem para alternativas. Contámos apenas connosco, com o nosso Povo, que na generalidade compreendeu e nos colocou à disposição camiões cisterna, tratores, piscinas para abastecimento, motobombas, num movimento extraordinário de solidariedade e de partilha, que nunca esqueceremos.
É nas tragédias que muitas vezes reforçamos o conceito da dimensão da capacidade humana e intensificamos os laços de solidariedade. São estes laços e o sentimento tão forte de união, que não podemos deixar de realçar.
 

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

SINAIS DOS TEMPOS…OU A DEGRADAÇÃO DO ESTADO


O País assiste, talvez já sem surpresa, à prisão do diretor da Policia Judiciaria Militar e outros responsáveis, alegadamente, por existirem “guerras” entre polícias.
O caso poderia até parecer uma brincadeira de ciúmes, de ambições pessoais ou corporativas se o conteúdo não fosse tão sério e relevante. Acontece, que se trata de um assunto de estado, do roubo de armas de um paiol militar, ainda tão mais grave quando sabemos que andou envolto em sucessivos mistérios, contradições e incertezas e em sucessivas declarações, mais ou menos desastradas, gerando uma natural sensação de desconfiança e insegurança nos cidadãos.
É certo, que nos tempos que correm, andamos todos um pouco baralhados: Polícias com responsabilidades de apagar incêndios, Bombeiros que regulam o trânsito enquanto esperam pela chegada da polícia. Há uns tempos, era impensável ver carros de combate a incêndios capotados com a sigla da “GNR”, ou lamentar os ferimentos graves e o internamento de militares desta prestigiada força, devido ao combate a incêndios florestais.
Hoje temos fotografias censuradas, que levam à demissão de responsáveis, e não era hábito termos o Presidente da República, o mais Alto magistrado da Nação, dias a fio, a dar entrevistas em calções de banho.
Atualmente temos o maior investimento (diz-se) de sempre na área da saúde, mas também um número de demissões, sem precedentes, de responsáveis hospitalares e um agravamento continuado dos cuidados prestados.
Temos um primeiro-ministro que dá a sua palavra honrada, que a repete cinco vezes, para uns dias depois a reduzir a menos de nada.
Sim, tudo isto parece um sinal dos tempos, a que, mal ou bem, nos vamos habituando, mas o incidente de Tancos não é bem a mesma coisa. Quando se trata da Instituição Militar, atingida ao seu mais alto nível, exatamente a Policia Judiciária Militar, então não serão apenas sinais dos tempos, mas antes fenómenos complicados de degradação das Instituições, que podem ferir a dignidade e a credibilidade do próprio Estado de Direito.
Apesar de tudo, e dos seus constrangimentos, vamos acreditando no sistema judicial, esperando que não seja beliscado pelo recente e rocambolesco episódio da nomeação da PGR.
 
 
 
 
 



 

Fotos com crédito de imagem

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

INCÊNDIOS FLORESTAIS


Ao dar uma olhadela nos meus arquivos da semana passada encontrei esta capa de jornal.

Cada um interpreta como quiser. Por mim, exprimo o desejo, muito forte e sincero, de rápido restabelecimento para os Militares da GNR apanhados pelo incêndio florestal de Mourão.
O combate aos incêndios é uma tarefa de risco muito elevado e o fogo não escolhe o momento, o local, a origem ou a cor da farda.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

O MOMENTO DOS PROFESSORES



Em termos laborais, nada há de mais justo do que contar o tempo de serviço efetivamente prestado, seja qual for a classe ou categoria profissional.
No que respeita aos Professores, a semana passada, talvez apenas para “intoxicar” a opinião pública, o governo afirmava que a contagem do tempo custava 600 milhões, hoje anuncia-se uma comissão técnica para avaliar quanto custa.
Esta falta de responsabilidade, custou uma greve e dias de incerteza a uma boa parte da população, incluindo naturalmente os professores, que são na generalidade cidadãos responsáveis e também têm filhos nas escolas públicas.
Considero inacreditável a ligeireza com que se trata um assunto tão sério, e acho também que os Professores não deixarão de “chumbar” o governo e alguns sindicatos pelo desempenho tão negativo.